A Lojinha da Dona Valta
Por Félix Vasconcelos
A lojinha era realmente uma lojinha,
Pois de tão pequena se chamava assim.
Às vezes Dona Valta trabalhava sozinha,
às vezes com a ajuda do filho Benjamim.
Foi a primeira a vender roupas de bebê;
Tinha: arroz, açúcar, óleo de côco e sapatos,
Não tinha lápis de escrever e nem cartilha de abc;
Dona Valta era amigável, cordial e tinha bons tratos.
A lojinha foi a primeira a vender
Perfumes da Avon em Irauçuba;
A novidade fez sucesso, você pode crer!
Era um vai-e-vem, um deus-nos-acuda.
As dívidas eram cobradas
Com frases bem elaboradas
Pelos bilheitinhos levados por um menino
Que com certa rapidez chegava ao destino.
Se o cliente não tinha mais dinheiro,
Aceitava-se galinha para o galinheiro;
Era mais uma forma criativa de pagamento;
O cliente jamais ficava em descontetamento.
